Estudo clínico do MCTI comprova que nitazoxanida reduz a carga viral de pacientes com a Covid-19 na fase inicial da doença

Descoberta do tratamento fez parte da estratégia de reposicionamento de fármacos, proposta pela RedeVirus MCTI, comitê de especialistas criado em fevereiro

Um estudo clínico apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) comprovou que o medicamento nitazoxanida é capaz de reduzir a carga viral de pacientes com sintomas iniciais de Covid-19. O estudo teve a participação de 1.575 voluntários em 7 cidades do país, e os resultados foram anunciados no dia 19 deste mês, em Brasília, pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes.

Segundo a coordenadora do estudo, a professora Patrícia Rocco, titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a diminuição da carga viral representa uma menor possibilidade de contágio pelos pacientes tratados e evita o agravamento das condições de saúde. Os dados mais detalhados da pesquisa não puderam ser divulgados, pois o estudo foi submetido a uma publicação científica internacional. Segundo a pesquisadora, em face do momento de pandemia e número de contaminados, a revelação dos resultados é importante.

“Infelizmente, no momento, não poderei relatar mais detalhes sobre o estudo, já que ele foi submetido a uma revista internacional, o que faria com que perdêssemos o ineditismo, limitando a publicação. No entanto, no Brasil continuam morrendo em torno de 500 pessoas por dia. Como cientistas, nós sempre pensamos que o artigo deve ser revisado e publicado por nossos pares. Entretanto, mesmo na pandemia, seria correto omitirmos esse dado e esperarmos um mês para divulgar?”, ponderou.

O ministro Marcos Pontes se solidarizou com os atingidos pela pandemia e destacou o papel da ciência brasileira. O ministro também apresentou outras qualidades da nitazoxanida, como o baixo custo e a ausência de efeitos colaterais sérios. Pontes advertiu que o remédio não pode ser usado como forma de prevenir a Covid-19.

“A gente pode ajudar a reduzir o problema. Nós temos um medicamento comprovado cientificamente capaz de reduzir a carga viral. Isso significa que reduz o contágio entre as pessoas, diminui a probabilidade de agravamento de sintomas”.

O ministro também lembrou que o esforço para a descoberta do tratamento começou em fevereiro com a criação da RedeVirus MCTI, um comitê de especialistas que traçou estratégias para o enfrentamento da pandemia. Uma dessas linhas foi o reposicionamento de fármacos, que consiste em testar medicamentos já existentes para o tratamento de outras doenças. Marcos Pontes concluiu que o próximo passo para definição de como o remédio será usado passa pelo Ministério da Saúde. “Nós estamos passando o bastão para o Ministério da Saúde, para o general Pazuello dar continuidade ao trabalho”.

Por fim, o presidente da República, Jair Bolsonaro, elogiou o trabalho do ministro e a atuação do Governo Federal durante a pandemia, cuidando também da economia e dos empregos. “O ministro Marcos Pontes chegou pra mim com uma planilha mostrando os resultados de medicamento, a nitazoxanida. Num primeiro momento, todos desconfiaram. Com muita coragem o ministro levou a proposta avante até que surgiu essa resposta através das observações, uso pelas pessoas e constatação da diminuição da carga viral”, colocou.

Histórico

Utilizando inteligência artificial em testes com 2 mil fármacos, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao MCTI, identificou cinco remédios com potencial para combater a replicação do novo coronavírus. Um deles, a nitazoxanida, reduziu em 94% a carga viral em células infectadas in vitro.

Em seguida, com aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), o ministério deu início ao protocolo de testes com a nitaxozanida no tratamento de pacientes com sintomas iniciais de Covid-19, como febre, tosse e fadiga. Assim foi lançada a campanha #500VoluntáriosJÁ, que levou carretas para receber os participantes dos estudos nas cidades de Ceilândia (DF), Bauru, Sorocaba, Barueri, Guarulhos e São Caetano do Sul, em São Paulo, e Juiz de Fora (MG). Os estudos foram conduzidos no padrão “duplo cego”, em que nem os pacientes ou médicos tinham conhecimento da medicação usada e poderiam tanto receber a nitazoxanida ou o placebo.

 

 

Fonte: Portal Gov.br