Fórum da Indústria Espacial debate o Programa Espacial Brasileiro e perspectivas para o setor

A programação do primeiro dia do evento teve painéis e uma palestra sobre temas de relevância para o setor aeroespacial

Com o início da programação do 3º Fórum da Indústria Espacial Brasileira, foram realizados na última semana os primeiros debates e palestras sobre temas de relevância para o setor. No formato de três painéis e uma palestra, as discussões abordaram assuntos como a economia espacial, o programa espacial brasileiro e perspectivas para o setor empresarial. O Fórum teve duração de dois dias e aconteceu no auditório do Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP) e foi promovido pela Agência Espacial Brasileira, que é uma autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, e outros parceiros.

O primeiro painel, intitulado “Economia Espacial e seus Benefícios Socioeconômico”, foi predominantemente realizado na língua inglesa por contar com convidados estrangeiros: representantes da Agência Espacial de Luxemburgo, da Comptia Space Entreprise Council, do Centre National D’Études Spatiales (CNES), a agência espacial francesa, da Eurconsult, além do diretor de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, André Tortato Rauen.

Os participantes apresentaram as experiências da economia espacial no cenário internacional. O moderador do painel, o secretário de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia, César Mattos, comentou que uma das principais lições do painel é a necessidade de harmonizar as ações de estado e do setor privado na área. “Não cabe um modelo único, temos que pensar no que tem a ver com a nossa vocação”, disse. “Vamos primeiro focar na questão de lançamentos, mas o setor pode transbordar para outros setores da economia, o que é muito interessante para nós. ” Segundo o secretário, um dos principais temas, que é o regime de governança, dependerá de uma ação de coordenação por parte do governo e é desejável que a participação do setor privado seja proeminente.

O segundo painel do dia teve como moderador o secretário-executivo adjunto do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Carlos Alberto Flora Baptistucci. Com o tema “Perspectivas para o Programa Espacial Brasileiro: Ambiente Institucional e Regulatório” o debate teve a presença do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Moura, o diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da AEB, Paulo Vasconcellos, e o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Alcides Barbacov.

O secretário do MCTIC e moderador do painel, Carlos Baptistucci, destacou que a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) com os Estados Unidos vai permitir que sejam feitos investimentos no Brasil nessa área. “Com o novo marco regulatório, o governo vai trazer os demais setores ao debate para mostrar como ele pretende dar acesso aos demais players ao setor espacial”, afirmou. “A partir de eventos como esse, poderemos retomar com força essa perspectiva.”

Sobre o painel que tratou do programa espacial brasileiro, o secretário ressaltou que houve uma apresentação ampla do setor e perspectivas para o Centro Espacial de Alcântara pelo presidente da AEB, o aspecto regulatório do setor e a participação do Ministério da Defesa colocando questões estratégicas que são importantes no setor espacial. “Conseguimos permear os principais pontos do Programa Espacial Brasileiro, o que ficou claro pelo nível de participação do público”, afirmou.

“Qualquer programa espacial depende muito de cooperações”, disse o presidente da AEB, Carlos Moura. “Para cooperar, precisamos conhecer nossas necessidades e capacidades e as dos outros parceiros, portanto em um evento como esse, em que trazemos seis agências espaciais de todos os continentes, diversas empresas e stakeholders, podemos ter uma visão muito mais clara do setor espacial. ”

O terceiro painel do dia contou com representantes de diversas empresas, como a Avibras, Thales Alenia, Omnisys, RJC Defesa e Aeroespacial, Orbital Engenharia, Fibraforte e AEL Sistemas. Com o tema “Perspectivas para a Indústria Espacial Brasileira”, o painel teve como moderador o diretor Darcton Damião, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma unidade de pesquisa do MCTIC.

“O setor espacial internacional está permeando novas camadas”, disse o diretor. “Um maior número de empresas de menor porte estão integrando o setor e a indústria brasileira precisa se adaptar a essa nova realidade. ” Para o diretor, a participação histórica da indústria brasileira precisa se adaptar a essa nova realidade e ampliar sua presença na base industrial de defesa e aeroespacial.

O ultimo evento do dia teve um formato distinto — uma palestra da diretora do escritório da agência japonesa JAXA em Washington, Masami Onoda. Ela apresentou os principais projetos da agência e comentou a importância de eventos como o Fórum, que reúnem diferentes atores do setor.

“Conversar diretamente com as pessoas é a melhor forma de trocar experiências, ” disse a diretora. Ela ressaltou que, com as características atuais das indústrias brasileira e japonesa, a cooperação espacial imediata entre o Brasil e o Japão pode ser muito promissora na área de satélites de órbita baixa (LEO, na sigla em inglês), na pesquisa em micro gravidade e na área de micro e nano-satélites. “Temos uma série de empresas espaciais dispostas a desenvolver parcerias, e como governo, temos muito interesse em criar essas conexões. ”

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações