Movimentos sugerem programa de autogestão para construir moradia popular

Proposta de Programa Nacional de Moradia por Autogestão deve atender famílias em áreas urbanas e rurais

A União Nacional por Moradia Popular e outros movimentos de habitação entregaram à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados sugestão de projeto de lei que cria um programa para produzir moradias por autogestão.

Segundo a proposta, o Programa Nacional de Moradia por Autogestão deve atender famílias com renda mensal de até R$ 6 mil, em áreas urbanas, ou com renda anual de até R$ 72 mil, em áreas rurais.

Na modalidade de autogestão, o processo de construção ou reforma de imóveis será controlado pelos associados, organizados em cooperativas ou entidades sem fins lucrativos. No final da obra, o empreendimento habitacional será registrado em nome de seus participantes e da entidade promotora, em um regime de propriedade coletiva.

Moradias melhores

A representante da União Nacional por Moradia Popular Evaniza Lopes Rodrigues explica que o morador será o protagonista dos empreendimentos de autogestão, que não visam o lucro. Com isso, ela espera que a modalidade produza moradias melhores, maiores e mais apropriadas para as famílias. Evaniza também apontou para necessidade de apoio e recursos públicos para construção. “O Estado não pode se omitir”, apontou.

A coordenadora nacional da União Nacional por Moradia Popular, Maria das Graças Xavier, acredita que o instituto da propriedade coletiva deve favorecer especialmente as mulheres. “A moradia é um direito, e não uma mercadoria.”

O representante do Fórum Nacional de Reforma Urbana Ronaldo Coelho avalia que a propriedade individual contribui para segregação social. Segundo ele, o instituto da propriedade coletiva vai tornar lei o que já vem sendo feito pelos movimentos sociais.

Pandemia

O dirigente nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Arnaldo Brito, comentou que a pandemia do coronavírus demonstrou a importância de ter moradia no campo e na cidade. Ele informou que há um déficit de 1,3 milhão de casas no meio rural. “A população que produz alimentos tem casas precárias”, lamentou.

A representante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo Maíra Rocha Mattos apoiou a proposta. “É uma forma de democratizar o acesso à arquitetura e ao urbanismo, trazendo moradias melhores e cidades mais justas, especialmente para trabalhadores que têm sido mais onerados com custos de manutenção da moradia, em especial durante a crise da Covid-19”, analisou.

A arquiteta calcula que há 25 milhões de habitações insalubres e precárias no Brasil. “A moradia popular deve ter qualidade, estar bem localizada, com acesso à infraestrutura, saneamento básico e equipamentos públicos como escolas e postos de saúde”, apontou.

Maíra Mattos ainda observou que os projetos do programa Minha Casa, Minha Vida que foram administrados por entidades conseguiram economizar mais recursos do que os projetos do Minha Casa, Minha Vida com empresas do mercado imobiliário. “A autogestão traz controle e transparência dos recursos, evitando desvios e desperdício de orçamento”, comentou. “O envolvimento dos moradores também garante a segurança de posse e evita que usuários finais sejam expulsos de suas unidades.”

 

Com informações da Agência Câmara de Notícias.