Para enfrentar crise, setor leiteiro tem novas medidas de financiamento e custeio

Crédito é de até R$ 65 milhões e reembolso até 240 dias

No Brasil, a alta média no custo de produção leiteira atingiu 10,7% em 2019. Nos últimos dois anos, esse índice chega a 24,6%, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Para amenizar as dificuldades dos produtores, a pedido do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Conselho Monetário Nacional (CMN), autorizou o financiamento para beneficiamento ou industrialização do produto e a ampliação de prazo de custeio para o setor.

A medida prevê até o dia 30 de junho deste ano, a contratação, com recursos obrigatórios, de Financiamento para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP) para beneficiamento ou industrialização de leite. O limite de crédito é de até R$ 65 milhões, com taxa de juros de 6% ao ano e prazo de reembolso de até 240 dias.

O prazo de reembolso para contratação de crédito de custeio pecuário para retenção de matizes bovinas de leite também foi ampliado de um ano para dois anos.

Segundo o CMN, as medidas foram adotadas para evitar a descapitalização desse segmento e garantir o abastecimento do mercado. O aumento dos preços dos insumos para ração das vacas leiteiras, como milho e farelo de soja, levou à queda na relação de troca entre esses insumos e o leite.

Para 2021, não há expectativa de recuo no preço dos insumos e do custo da alimentação desses animais. Assim, dependendo do comportamento do preço do leite, a rentabilidade do setor pode ser prejudicada, o que pode induzir ao descarte precoce de matrizes leiteiras e, consequentemente, reduzir a oferta interna de leite.

Outras duas medidas aprovadas na reunião do CMN, também a pedido do Ministério da Agricultura, vão ao encontro dos interesses dos agricultores familiares. A primeira autoriza o financiamento de operações de investimento, na fonte Recursos Obrigatórios, no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), o que pode resultar em até R$ 1,5 bilhão para em recursos novos para essa finalidade.

A segunda medida amplia o prazo de crédito de curto prazo às agroindústrias familiares de um para dois anos, também em operações ao abalado do Pronaf.

Ambas até o prazo de 30 de junho.

 

Com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.