Representantes de energia renovável veem potencial para crescimento do setor no País

Representantes do setor de energia renovável trouxeram à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (18), suas demandas para que a matriz continue crescendo no País. A ideia é que a Subcomissão de Fontes Renováveis de Energia e Biocombustíveis discuta, no próximo ano, formas de investimento e incentivo às energias solar e eólica e àquela produzida pelas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

O assunto foi discutido em audiência pública, a pedido do deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE). “O papel da subcomissão é produzir soluções. Não adianta só debater e encontrar os problemas, sem ter soluções. O nosso papel aqui é propor projetos de lei, PECs, tudo o que for necessário para construir o caminho da sustentabilidade no mercado das fontes renováveis de energia”, explicou o parlamentar.

O debate também contou com a presença do deputado Coronel Armando (PSL-SC).

Energia eólica

Diretor-técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Sandro Yamamoto destacou que a fonte eólica é hoje a segunda em capacidade instalada, perdendo para a hidrelétrica. “O Brasil foi o oitavo país do mundo em capacidade instalada, no fim de 2018. Em 2019, o Brasil foi o quinto país que mais instalou energia eólica no mundo”, informou.

Em 2018, foram investidos 1,3 bilhões de dólares investidos no setor no País e evitada a emissão de 21 milhões de toneladas de gás carbônico.

Neste ano, o País não instalou muitos parques eólicos, em razão de não ter havido muitos leilões em 2016, considerando que existe um intervalo de três anos entre estudos e instalação.

O diretor disse ainda que a energia eólica contribui para a regularização fundiária no Nordeste. “O investidor faz trabalho com o posseiro [da terra onde será instalado o parque] para registro do nome daquela família. A partir do registro, ele consegue ter acesso a programas para a agricultura e para a pecuária. Muitas pessoas da região acabam sendo empregadas”, comemorou.

Energia solar

No setor de energia solar, o coordenador do grupo de trabalho de geração distribuída da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Guilherme Susteras, lembrou que hoje a fonte representa apenas 1,4% na matriz energética brasileira, o que para ele representa uma oportunidade de crescimento. São 170 mil residências atendidas por energia solar, em um total de 83 milhões de consumidores.

“O grande desafio são investimentos, o acesso ao capital”, resumiu. “É importante manter o ritmo de contratações de leilão, porque o Brasil vai crescer e vai precisar de energia. Temos condições de potencializar novos investimentos privados.”

Segundo Susteras, o mundo da energia hoje é caracterizado pela presença de um consumidor que quer decidir de onde vai tomar energia. Com a geração fotovoltaica, disse, surgiu a opção de colocar um painel no telhado. Além disso, os preços estão caindo. “Em 1976, o watt de energia custava 80 dólares o watt, até chegar hoje a 25 centavos de dólar o watt”, comparou.

Pequenas hidrelétricas

O representante da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch) na audiência, Sevan Naves, reclamou de um baixo uso do potencial hidrelétrico brasileiro. “Hoje os Estados Unidos usam 90% de seu potencial hidrelétrico. O Brasil não usa nem 20%, mesmo sendo o terceiro potencial mundial”, disse. “Para melhorar, é preciso corrigir a falta de isonomia, adequar a legislação e melhorar o licenciamento ambiental”, defendeu.

Entre as vantagens das PCHs, Naves citou a geração de energia mais barata, segura e limpa. “O custo de produção é reduzido porque está mais próximo do consumo nas grandes cidades. A tecnologia é 100% nacional e hoje temos uma engenharia altamente desenvolvida e comprometida”, afirmou. Além disso, continuou, as águas do lago formado para construção de uma hidrelétrica podem ser usadas também para dessedentação animal, irrigação, lazer e piscicultura.

Complementaridade

Outro ponto destacado por Sevan Naves é que as energias alternativas não concorrem entre si, mas são complementares. Para ele, a complementaridade ideal se dá entre as fontes hidráulica e solar. “A solar gera energia das 8h às 16h. Enquanto isso a hidro acumula água para gerar no horário de pico, das 16h às 21h”, explicou.

Guilherme Susteras completou essa ideia ao destacar que todas as fontes são necessárias. “À medida que o Brasil volta a crescer, a gente precisa de energia e todas as fontes são importantes, porque são complementares”, acredita. Ele disse que o pico de produção de energia solar pode, por exemplo, cobrir a alta demanda de uso de ar condicionado no País no início da tarde. Segundo ele, é essa complementaridade que evita hoje que o Brasil passe por novos racionamentos de energia, como o de 2001.

 

Fonte: Câmara dos Deputados