Seminário Ciência Mar MCTIC reúne resultados no combate ao derramamento de óleo

Programa destinou R$ 7,5 milhões para projetos de pesquisa para combate à emergência do derramamento do óleo no litoral brasileiro em 2019; Evento anunciou os próximos passos da iniciativa

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) reuniu semana passada, em Brasília, os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e os Programas de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (Pelds) apoiados pelo programa Ciência no Mar MCTIC. As iniciativas receberam R$ 7,5 milhões para desenvolver projetos em resposta à emergência do derramamento de óleo na costa brasileira em 2019. As áreas de atuação foram segurança alimentar; controle e remediação; balneabilidade e impactos sobre ecossistemas.

Além de apresentar os resultados das iniciativas das redes de pesquisa, o Seminário de Monitoramento Marco Zero do Ciência no Mar também detalhou os próximos passos do programa: o lançamento de uma chamada nacional em parceria com outros órgãos do governo federal e as Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais e um edital público para criação do Instituto Nacional do Mar (Inmar), uma organização pública para integrar os laboratórios e infraestrutura de pesquisa marítima.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, afirmou que o trabalho em redes é uma forma de otimizar recursos humanos, infraestrutura e conhecimento e que a união de diferentes entidades é importante para enfrentar grandes problemas.

“Esse programa começou em uma situação de emergência, o derramamento de óleo, e a ciência soube responder junto com outros setores. No caso do coronavírus, nós também estamos aqui para responder. A ciência e a tecnologia podem ajudar o país a solucionar emergências e a termos planos de contingência. A gente tem capacidade e o MCTIC está aqui para unir essas redes e obter resultados de curto, médio e longo prazo”, destacou.

Já o secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do MCTIC, Marcelo Morales, explicou que a criação do Inmar se dará por meio de uma organização social escolhida por chamada pública, enquanto o edital de projetos para 2020 terá como temas as áreas de segurança alimentar; balneabilidade e impactos na saúde da população; impactos sobre ecossistemas; e controle e remediação.

“O edital de projetos de 2020 a gente está articulando com as Fundações de Amparo à Pesquisa dos estados e outros atores, como o Ministério do Meio Ambiente, fundos já existentes para que a chamada seja robusta. A gente teve essa experiência no CNPq, na crise do Zika, e fez uma chamada para enfrentar o problema de forma organizada. Já o Inmar vai ser um marco histórico. Nós teremos uma organização social em que os equipamentos, laboratórios de pesquisa marítima serão otimizados dentro de uma única instituição”, detalhou.

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTIC), João Luiz Filgueiras de Azevedo, detalhou o processo de escolha dos projetos apoiados na fase da ação emergencial do programa. “A grande função que coube ao CNPq foi o trabalho de identificação das competências do país, em particular as redes de pesquisa já consolidadas. Foram 7 projetos aprovados, envolvendo 9 redes de pesquisa, 7 INCTs e 2 sítios Peld. Nós buscamos redes de pesquisa que já tivessem demonstrado um desenvolvimento contínuo e consistente de pesquisas científicas nas áreas relacionadas aos temas prioritários da ação emergencial”, expôs.

Já o diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, elogiou a comunidade científica que trabalhou junto com a Marinha e outros órgãos durante a emergência do derramamento de óleo e a articulação entre diferentes atores para resolver problemas e prevenir desastres.

“A Marinha estuda forma de dar corpo e institucionalizar essa assessoria científica ao Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) de forma inclusiva e com grande participação de todos os atores. Não serão projetos de pesquisa isolados, mas a articulação entre eles, somados à infraestrutura de pesquisa, que permitirão ações de conhecimento científico, prevenção de desastres e respostas rápidas em situação de ameaça, como a que foi estimulada pelo derramamento de óleo”, pontuou.

Ciência no Mar MCTIC

O Ciência no Mar é um programa do MCTIC de gestão à pesquisa brasileira em águas oceânicas com duração prevista até 2030. Reúne seis linhas temáticas: gestão de riscos e desastres; mar profundo; zona costeira e plataforma continental; circulação oceânica, interação oceano-atmosfera e variabilidade climática; tecnologia e infraestrutura para pesquisas oceanográficas e biodiversidade marinha.

Confira todas as ações do programa Ciência no Mar e as ações de cada rede de pesquisa no site http://ciencianomar.mctic.gov.br/

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações